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sábado, 2 de setembro de 2017

Carta de número um


       Essa é a primeira de  muitas das cartas que irei tirar da minha gaveta, ainda pretendo escrever muito. Eu preciso lhe dizer que não é fácil, olhar a minha vida daqui, assistir às versões velhas de mim e falar sobre as marcas que causaram nos meus joelhos. Não é fácil. Quem nunca teve aquele tropeço no meio do caminho que atire a primeira pedra. Quem pretende manter suas marcas ocultas, que o faça, tenho exercitado conviver em paz com as minhas feridas. 
     Só quem já caiu feio sabe que não é fácil esconder machucados profundos, acordar às seis da manhã e pôr a cara no sol sem a maquiagem de todos os dias, colocar os pês na calçada e abrir o peito para gritar "Ei, essas são as minhas cicatrizes", tenho tentado não odiar as minhas, não permitir que minhas histórias sejam páginas que nem eu mesma seja capaz de ler. Entendi que me ferir nos processos é parte da minha humanidade, eu que tenho a habilidade de tropeçar em todas as pedras que encontro pelo caminho, tenho entendido que cair é parte do roteiro. 
      Também preciso dizer que desisti de insistir em roupas que já não me servem, joguei muita coisa fora e tenho anotado nas minhas legendas advertências sobre os meus sentimentos excessivos, sinto que me encaixar não é mais algo que cabe a mim. 
     Tenho feito prints de textos que me deixam chorosa, tenho feito playlists de músicas tristes, e tenho me sentido confortável em relação a todas as coisas do meu coração as quais em outro momento insisti em ignorar pelo fato de terem me convencido ser bobagem, e não eram. Os meus excessos precisam ser respeitados, começando por mim.
     Pra concluir essa carta, admito: Não me livrei das cartas que escrevi e não enderecei a ninguém, não me livrei das que escrevi e enderecei, não posso jogar fora as minhas palavras, não mais, são parte crucial de quem sou. A minha gaveta é um mundo de palavras e desabafos, de idas e vindas, de sonhos que coloquei no papel, deixar que as leiam é como abrir o peito e dizer "Ei, vem cá, essas são as minhas cicatrizes." Então vem, senta, abre o teu peito e me lê. 


P.S: Um agradecimento super especial à querida Vitória Amaral dona do http://capituloxxiii.blogspot.com.br que é um blog lindo! (Ela fez esse blog ser essa coisa fofa que vocês estão vendo). E não menos especial a todas as pessoas pessoas lindas que me incentivam a falar das coisas que sinto em forma de texto, o mundo é mais bonito por conta de vocês!